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Leo Jaime se encaixa perfeitamente no conceito de multimídia. Além de ter uma carreira consolidada como músico, atua na banda (e na produção e em reportagens externas) do programa Amor & Sexo (Rede Globo) e dá seus pitacos no programa Saia Justa (GNT). Fora isso, escreve roteiros para programas de TV, atualiza diversas vezes por dia sua página no Twitter e é colaborador de jornais e revistas. Em entrevista ao Visto Livre Magazine, Leo, que nunca foi de ficar em cima do muro, fala sobre sua influência na maior emissora do país, mercado fonográfico e seus planos para 2012. (Por Gustavo Godinho)
Visto Livre: Qual a forma correta de se comercializar música nesse atual momento, no qual a população brasileira (como no resto do mundo) vive a era digital?
Leo Jaime: Acho que o anúncio da chegada da iTunes Store no Brasil responde a questão. O mercado brasileiro definhou porque quis ir contra as mudanças no comportamento do público. Agora acho que vão procurar se adaptar. Fazer as pazes com o consumidor é sempre uma boa política.
Visto Livre: Você vê algum papel para as grandes gravadoras ou elas estão deslocadas e desfocadas?
Leo Jaime: O mercado pode ser mais produtivo e para grandes estrelas talvez seja necessário a presença de grandes grupos. É necessário, porém, reciclar. Chamar de gravadora, por exemplo, é impreciso. Qualquer um pode gravar em casa. Promotoras, talvez fosse o termo correto. Quando as grandes no mundo inteiro entenderam que deviam encorajar os selos e as produções independentes, aqui no Brasil achavam que não, que podiam dar conta de tudo. Hoje pedem participação na renda dos shows, sem entender que no mundo todo a participação na renda dos shows se dá porque há um investimento, uma associação para se produzir e divulgar uma excursão. Aqui não são muitos os artistas que tem uma excursão planejada com mídia pré-definida. O negócio tende a ser reinventado e seria ótimo que a música brasileira voltasse a ocupar o lugar que sempre ocupou na cultura nacional. Hoje ela é a prima pobre.
Visto Livre: Se você atuasse só com música, conseguiria ganhar dinheiro? Aliás, o músico consegue ganhar dinheiro com sua arte? De que forma?
Leo Jaime: Acho que fazer shows, tocar na noite, é a forma mais comum de se manter o negócio. Viver de discos, direitos autorais ou mesmo viver como compositor ficou difícil.
Visto Livre: O fato de você ter posição política e opiniões pessoais divulgadas em seu twitter, o afasta de alguns fãs?
Leo Jaime: Afasta e aproxima. Pelo que percebo, aproxima mais do que afasta. Honestidade, opinião, coerência, mesmo quando há diferença de pontos de vista, enriquecem o diálogo. Parto deste princípio.
Visto Livre: Acaba sendo desestimulante para o artista compor uma nova canção sabendo que, de uma forma ou de outra, ela vai ser consumida de forma descartável?
Leo Jaime: A gente quer que a mensagem que a gente escreveu chegue até quem possa ser atingido por ela. As pessoas costumam levar para a vida as canções que as marcaram em algum momento. Porém, é claro, escrever músicas sem ter a certeza de que serão gravadas e ouvidas é chato. É como escrever cartas para ninguém.
Visto Livre: Você tem composto ou trabalhado em CD ou músicas novas?
Leo Jaime: Estou pensando em fazer um trabalho como o Todo Amor, de 1995 onde atuo como intérprete. Algumas inéditas de minha autoria podem fazer parte, claro. Mas por enquanto são apenas planos.
Visto Livre: Vamos falar um pouco sobre os seus shows. Tem conseguido emplacar sucessos mais recentes entre seus hits oitentistas?
Leo Jaime: Canto poucas coisas novas mas canto. Acho bom mostrar algumas coisas deste disco de 1995 e do de 2008. E fico feliz em saber que tenho um repertório que as pessoas gostam de ouvir, que não está desgastado.
Visto Livre: O fato de você estar dentro da TV Globo não facilita, por exemplo, a promoção de seu trabalho de músico?
Leo Jaime: Lancei várias músicas em novelas nos últimos anos. São poucas as que repercutem de forma estrondosa mesmo em trilhas de novelas. E minha atuação na TV Globo cantando no Amor e Sexo – coisas que tem a ver com o programa e não com minha carreira musical – serve para mostrar que estou na ativa e com uma banda excelente. Mas não estou ali pra vender o meu peixe e sim fazer a uma trilha coerente com o programa.
Visto Livre: Muitos artistas que fizeram sucesso na década de 80 estão fazendo shows na linha “revival”. Você continua a fazer este tipo de evento?
Leo Jaime: Quando quis fazer um revival lancei um show que virou DVD pela grife Multishow e vendeu bastante, o Geração 80. Era uma reunião de vários amigos da geração tocando com a minha banda. Foi muito bom reunir todo mundo mas muito difícil de organizar, pois cada empresário de cada artista querida fazer o seu G80 particular. Mesmo assim rodamos o Brasil fazendo apresentações. Tenho tocado recentemente em vários lugares, em eventos corporativos, que adoro fazer, ou em casas de show como, por exemplo, a Fundição Progresso e o Vivo Rio, aqui no Rio de Janeiro. Tô rodando bem, embora a agenda da televisão não me deixe com a agenda muito livre.
Visto Livre: Fale um pouco sobre a sua atuação no mercado de eventos corporativos.
Leo Jaime: Eu tenho muito prazer em fazer festas de empresa e até casamentos. Procuro criar alguma coisa específica para a festa, customizar o show de alguma forma, mesmo que seja só nas brincadeiras que costumo fazer com o público. Isso faz com que os eventos sempre tenham um caráter primordial, e não o show. Eu sei que não estão lá para ver um show, mas que este pode ser o momento de descontração e que eu posso dar a sensação de que estou ali para fazer parte da festa, estar dentro dela, e não como uma atração à parte.
Visto Livre: Você continua fazendo shows em formato violão e voz? Onde se apresenta?
Leo Jaime: Faço de vez em quando, em lugares pequenos, com dois violões e sopros. É intimista e acústico. Não é um show dançante, é para um público que está sentado pertinho e a fim de ouvir canções.
Visto Livre: Quais os planos para 2012? Podemos esperar um novo DVD?
Leo Jaime: Eu planejo gravar um DVD, mas pelo jeito vou fazer algo independente e negociar o lançamento depois. Não sou muito interessado em ser dono de selo, essas coisas. Nem tenho tempo. Mas acho que é o único jeito de lançar algo novo atualmente. Pra mim, é claro! Sei que sou um dos artistas da música brasileira mais frequentes na TV, mas isto não facilita em nada minha vida na indústria.
Visto Livre: Aliás, qual a importância de um agente na carreira de um cantor independente?
Leo Jaime: Pode ser alguém que só atenda a demandas e coordene os eventos contratados ou pode ser alguém que pense, que faça estratégias, que ponha dinheiro e trabalho em produtos novos, um parceiro de negócios de verdade. Hoje eu acho que todo mundo neste negócio precisa se reinventar, achar um novo modo de agir. Acho muito cômodo o agente cobrar como se fosse empresário quando ele só vende datas e não produz nada. Neste aspecto o teatro está anos luz à frente do mercado musical. Conseguem fazer mais coisas com menos e quando lançam uma peça nova ela não vem com um repertório de sucessos, como um show. Mas são poucos os shows bem produzidos e que façam carreira longa. Acho que devemos voltar a fazer temporada em teatros ou casas de show.
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